quarta-feira, 26 de setembro de 2012

(POESIA)-LUA E SAUDADE.




Oh lua brilhante que clareia o céu,
Ai, oh lua que nunca tem fim.
Vem lembrar-me o beijo de mel,
Daquela mulher que foi tudo pra mim.

Tu foste testemunha daquelas cenas,
Pintaste de prata noites de amor.
Hoje teus raios de cores plenas,
Pintam de pranto, noites de dor.

Oh lua brilhante que foi que te fiz,
Para que firas meu peito assim?
Vindo lembrar-me que fui feliz,
Com aquela mulher junto de mim.

Oh lua brilhante que prateia o universo,
Ai, oh lua que nunca tem fim.
Traga de volta a razão dos meus versos,
Traga a mulher que é tudo pra mim.


Alexandre Leão.


domingo, 16 de setembro de 2012

(POESIA)-ROSA DE VELUDO





Em uma festa, sem amor,
Caminhei para o jardim.
Lá encontrei uma flor
Que se fez tudo pra mim.

No momento a lua brilhou,
Também as estrelas brilharam.
Ao ver você, linda flor,
Todas as mágoas findaram.

Senti o sangue ferver,
A vida passou num segundo.
Desde então, por você,
Sinto um amor tão profundo.

Nem mesmo sei o quanto,
A alegria que senti.
Você secou o meu pranto;
No fundo da alma sorri.

Na festa ganhaste uma rosa!...
De longe eu via tudo.
Via você mais formosa,
Que a rosa de veludo.

Ainda não lhe esqueci,
Menina linda e formosa.
No jardim a rosa vi,
No meu peito trago a rosa.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

(POESIA)-LÁ NO CÉU.


Lá no céu há uma festa,
Reúnem-se os anjinhos.
Embriagam-se de amor,
Alimentam-se de carinho.

Em um canto, lindo anjo,
Sozinho, sem ninguém.
Porque razão se a amo,
E estou sozinho também?...

Porque doce anjo, a tristeza?...
Porque espinhos, não flor?
Porque você nem me nota
Se lhe tenho tanto amor?

Você permanece tão triste...
O tempo vai transcorrendo.
Eu em meu canto, sozinho,
Por amor sigo sofrendo.

Estamos no meio da festa,
Você nem mesmo sorri.
Talvez você se alegre
Sabendo o que sinto por ti.

Sinto medo; Vacilo,
Não ouço me aproximar.
Talvez eu não deva, anjinho,
O seu amor desejar.

E assim o tempo se acaba,
A festa chega ao fim.
Você se perde ao longe,
Nem mesmo lembra de mim.

Sem você, lindo anjo,
Minha vida é sofrer.
Quem sabe ainda me ame,
Como eu amo você?...



                                                    Alexandre Leão.





sexta-feira, 24 de agosto de 2012

(POESIA)-CAMINHEIRO


  


Em delírio, o viajante,
Começava a desfalecer,
Quando viu mais adiante
Um frondoso pé de ipê.

Abençoado, o caminheiro
Que sentiu a morte, o varrer.
Deu graças ao Deus verdadeiro
Repousou no pé de ipê.

Revigorado então, se ergueu,
Novas terras foi correr.
Por onde quer que correu,
Bendizia o pé de ipê.

Um dia, porém veio estar,
Onde ele esteve a morrer;
Um lenhador a cortar,
Seu amigo pé de ipê.

Alguns anos, passou adiante
O andarilho pelo mesmo correr.
Veio descansar delirante,
Onde estaria o ipê.

 E depois, amargurado,
   Uma lágrima a correr...
Rolou no rosto suado,
Regou o que foi ipê.

Depois se prostrou no chão,
Ali veio a morrer.
Levava no coração,
Também a morte do ipê.




Alexandre Leão.

sábado, 18 de agosto de 2012

(POESIA)- JOGO DUPLO.


          



São duas vidas, duas cenas.
Duas cenas que transcorrem.
Um pai que luta em campo,
A mãe pelo filho que morre.

Mãe desventurada que apela a Deus
Uma réstia de luz ao corpo inocente.
“Levai minha vida e em troca
Levantai este corpo inconsciente.”.

O pai continua seu jogo,
Só pensando em vencer.
Ignora que neste momento,
O filho está a morrer.

Alma criança que ignora,
Se o pai está a jogar.
Ignora o penar da mãe,
Vendo a vida lhe escapar.

Jogo empate; Pai que luta
Para mais um gol marcar.
A mãe, uma alma tão aflita,
Chora o anjo a lhe deixar.

O filho expira!...Já se foi!
A mãe grita: ”Deus do infinito!”.
Um gol contra: “Vitória! Vitória!”.
O pai ouve triste, este grito.




                   Alexandre Leão.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

(POESIA)-SINO MUDO


Dedicado ao irmão e compositor Adriano Lawrence, que aos 18 anos teve sua vida arrebatada em um atropelamento.


                            SINO MUDO.


Tão pequenino recanto...
Pula, revira no ar.
Com tanta ternura e encanto
O sino daquele lugar

Dia, noite, madrugada,
Está sempre a repicar.
Trazendo lindas toadas.
Ao povo daquele lugar.

Toda alma que o escuta,
Queda-se; Faz se calar.
Sino que faz frente às lutas,
Do povo daquele lugar.

É amado! Não! Não o sabe,
Nem mesmo chegou a pensar
Que um dia, não muito tarde,
Não mesclaria àquele lugar.

Tais dias, bem pouco tardaram...
Súbitas, sem esperar,
Mãos rijas o amortalharam,
Como uma pluma no ar.

E hoje...
Hoje não há quem sorria.
Chorando recordam de tudo.
Tudo?...Tudo é o bem que fazia,
Hoje o sino está mudo. 




Alexandre Leão.